Finalmente, hora de estrear esse espacinho aqui na net. Pensei em fazer uma festa de lançamento, mas eu não gosto de festas, então... Bem, começamos com uma cobertura especial da...
V Semana de Integração da Resistência
Realizada pelos alunos de Jornalismo da UEPG, a Semana traz esse ano o tema América Latina. Os dias 5 a 9 de maio prometem discussões importantes sobre essa gigante de culturas, diversidade, contradições e peculiaridades, da qual - maravilha! - fazemos parte! Palestras, oficinas, atividades culturais y otras cositas más espalhadas pelo campus central da UEPG na busca por um debate aberto e plural. Apareçam!!
Forma de mobilização
Com origem na mobilização estudantil, organizada pelos próprios alunos (que correm atrás dos palestrantes, do patrocínio, etc) e com o objetivo de gerar um debate amplo sobre a sociedade, a Semana se encaixa como uma das formas possíveis de mobilização social. Afinal, a universidade está aí para ser prestigiada e para gerar mudanças nas idéias, atitudes e iniciativas das pessoas, dentro e fora dela. Eventos amplos contribuem para a integração sociedade/universidade, ainda vistas de forma muito separada.
Os debates gerados a partir de uma área tão importante, seja cultural, econômica ou historicamente (entre outros mentes), como a América Latina, sempre terão como elemento importante todas as transformações que os movimentos sociais realizaram em solo latino-americano.
América Latina no contexto dos movimentos sociais.
Eliel Machado* - especial para o Por Conta Própria
Dos anos 1990 para cá, o subcontinente latino-americano viu-se convulsionado por algumas rebeliões populares, sem contar as greves, motins, bloqueios de estradas, ocupações de terra, massacres de desempregados etc. Isto é, a democracia instaurada juntamente com o projeto neoliberal vêm produzindo fortes tensões sociais.
Em países dependentes como os nossos, o neoliberalismo desfavorece a estabilidade política. Alguns exemplos: na Argentina, ao mesmo tempo em que Menem foi eleito, surgem os piqueteiros que têm como principal arma de luta o “bloqueio de estradas” e como bandeira o “emprego”.
No Brasil, com as eleições de Collor de Mello (1989) e de Cardoso (1994), o projeto neoliberal foi recepcionado por um movimento social relativamente recente, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que se destacou no cenário nacional como principal opositor à implantação das políticas liberalizantes. Sua principal bandeira é a reforma agrária e a arma de luta são as ocupações de terras improdutivas.
No México, o neoliberalismo ganha força com o governo de Miguel De La Madri (1982-1988) e, em seguida, com seu sucessor, Carlos Salinas de Gortari (1988-1994), ao assinar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, deixando claro o engajamento do país aos propósitos neoliberais. A resistência popular foi imediata: o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), de armas nas mãos, tomou 38 municípios no primeiro dia de vigência do acordo (01/01/1994).
Em relação ao Equador, em 1986 os índios equatorianos fundaram a Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador (CONAIE) e, quatro anos depois, em 1990, ocorre o primeiro levante popular: milhares de índios paralisaram as estradas e acessos às principais cidades do país, exigindo do governo a solução para os conflitos de terras. Em 1997, um novo levante indígena destitui o presidente Abdalá Bucaram e, três anos depois, depõem Jamil Mahuad. Em 2002, vence o coronel Lucio Gutiérrez, apoiado pela CONAIE e outros movimentos sociais, mas renunciou em 2005 sob fortes protestos populares. Mais recentemente, a três de março de 2008, o atual presidente Rafael Correa teve seu território violado pela Colômbia que executou alguns guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) juntamente com civis, entre eles, estudantes mexicanos.
A Colômbia, por sua vez, vive sob uma guerra civil que se arrasta por mais de 40 anos, sem previsão de seu desfecho. Por um lado, as FARC-EP lutam em nome do socialismo e controlam quase metade do território daquele país. Por outro, estão o governo, latifundiários e, como sempre, a CIA norte-americana. Não é muito difícil detectar a sua presença em outras partes desse tão subjugado continente: na Venezuela, ela forjou todos os meios disponíveis para destituir o governo eleito de Hugo Chávez. Mesmo tendo sido sufragado pelo voto em pelo menos duas oportunidades – sua eleição em 1998 e no plebiscito de agosto de 2004 que o confirmou na presidência do país –, os Estados Unidos não param de acusá-lo de ditador e aliado de Cuba. Quer dizer, seguem apostando na desestabilidade política do país.
E, por fim, uma palavra sobre a Bolívia: seu futuro político imediato parece incerto, pois as oligarquias do rico departamento de Santa Cruz de la Sierra não aceitaram a eleição de Evo Morales, líder camponês e indígena, do Movimiento al Socialismo (MAS), e promovem uma ação separatista, denominada “referendo da autonomia”, uma iniciativa ilegal, contrária à Constituição e à unidade territorial. As oligarquias bolivianas, com apoio dos EUA, estão se armando para um possível enfrentamento armado.
Em suma, pode-se dizer que se na América Latina há uma difícil convivência entre neoliberalismo e democracia, esta última tem vivido momentos de agruras, um verdadeiro mal-estar democrático.
* Coordenador do Grupo de Estudos de Política da América Latina (Gepal) - UEL – Londrina/PR
Expectativas
Portanto, mobilizemo-nos a partir dos exemplos latino-americanos! O primeiro passo é conhecer. Por isso, o Por Conta Própria será mais um espaço para a divulgação das atividades da V Semana de Integração da Resistência! Quem vai ou quem não vai estar lá, contribuam com a discussão através do blog. Leiam e comentem! Hasta la vista!